Declaração do Primeiro-Ministro sobre a crise humanitária em Gaza
Declaração do Primeiro-Ministro do Reino Unido, Keir Starmer, sobre a crise humanitária em Gaza e o reconhecimento do Estado Palestino
Nossa maior preocupação é com os reféns israelenses e com o povo de Gaza. Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para pôr fim ao sofrimento atual e mudar a situação no terreno.
Exigimos um cessar-fogo imediato para pôr fim ao massacre e que a ONU seja autorizada a enviar assistência humanitária a Gaza de forma contínua para evitar a fome. Exigimos também a libertação imediata dos reféns. Apoiamos os governos dos EUA, do Catar e do Egito em suas tentativas de alcançar um cessar-fogo.
Também precisamos de um plano abrangente para pôr fim à miséria e chegar a um acordo de longo prazo. Estamos comprometidos em trabalhar em conjunto com nossos parceiros internacionais para desenvolver um plano de paz confiável para a próxima fase em Gaza, que estabeleça governança para uma transição e arranjos de segurança e que garanta a entrega de ajuda humanitária na escala necessária. Isto deve ser acompanhado da retirada das forças israelenses e do fim da liderança do Hamas em Gaza. Estes são passos fundamentais para uma solução negociada de dois Estados. Saudamos as medidas anunciadas pelo Presidente Abbas, que devem ser a base para uma reforma abrangente da Autoridade Palestina.
Há muito tempo estamos comprometidos em reconhecer um Estado da Palestina. Como afirmou nosso manifesto eleitoral, a condição de Estado palestino é um direito inalienável do povo palestino. Não é um presente de nenhum vizinho e também é essencial para a segurança de Israel a longo prazo. Estamos comprometidos em reconhecer um Estado palestino como uma contribuição para um processo de paz renovado que resulte em uma solução de dois Estados com Israel seguro e protegido, ao lado de um Estado palestino viável e soberano.
O Hamas é uma organização terrorista responsável pelas atrocidades de 7 de outubro. Eles jamais devem ser recompensados. Temos sido inequívocos em nossa condenação desses ataques perversos e em nosso apoio ao direito do Estado de Israel à autodefesa. O Hamas deve libertar imediatamente todos os reféns, assinar um cessar-fogo imediato, aceitar que não participará do governo de Gaza e se comprometer com o desarmamento.
Estamos determinados a proteger a viabilidade da solução de dois Estados e, portanto, reconheceremos o Estado da Palestina em setembro, perante a Assembleia Geral da ONU; a menos que o governo israelense tome medidas substantivas para pôr fim à terrível situação em Gaza e se comprometa com uma paz sustentável a longo prazo, inclusive permitindo que a ONU retome sem demora o fornecimento de apoio humanitário à população de Gaza para acabar com a fome, concordando com um cessar-fogo e deixando claro que não haverá anexações na Cisjordânia.
Faremos uma avaliação, antes da Assembleia Geral da ONU, sobre o quanto as partes cumpriram essas medidas. Nenhum dos lados terá poder de veto sobre o reconhecimento por meio de suas ações ou omissões.
Mas o reconhecimento, por si só, não mudará a situação em campo.
Estamos, portanto, tomando medidas imediatas adicionais para aliviar a situação humanitária, incluindo o lançamento aéreo de suprimentos humanitários, juntamente com a Jordânia, e a retirada de crianças feridas de Gaza e sua transferência para hospitais britânicos. Também estamos pressionando fortemente pela retomada das entregas de assistência humanitária da ONU.
Acreditamos também que um cessar-fogo não durará sem um trabalho urgente a respeito da governança e segurança em Gaza, e a perspectiva de um acordo político de longo prazo. Portanto, estamos preparando um plano com nossos principais aliados para negociações políticas de longo prazo e uma solução de dois Estados.